segunda-feira, 23 de abril de 2018

A 4 e 5 de Maio apresentamos FRÁGIL de David Greig em Sintra, no Chão d’Oliva. Já na Fundação Serralves, no domingo 6 de Maio, temos O RAPAZ DE UCELLO - OU AQUILO QUE NUNCA PERGUNTEI AO ÁLVARO LAPA de Jorge Silva Melo. E, na Casa da Cultura de Setúbal, a 26 de Abril, Manuel Wiborg e Jorge Silva Melo lêem GOMES LEAL.



FRÁGIL de David Greig Tradução Pedro Marques Com Pedro Carraca Cenografia e Figurinos Rita Lopes Alves Luz Pedro Domingos Encenação Jorge Silva Melo M12

Em Sobral de Monte Agraço, no CineTeatro Sobral a 28 de Abril
Em Sintra, no Chão de Oliva a 4 e 5 de Maio
Adoro ir ao centro. – Se alguma coisa me aborrece no sábado, no domingo ou na segunda – penso – não te preocupes – na terça vais ao centro.

David Greig, Os Acontecimentos
Frágil alista os espectadores numa comunidade de participantes, colocando-os cara a cara e responsabilizando-os por uma inflexível exigência ética perante o Outro. Através de Jack, a precariedade é colocada em primeiro plano. De facto, a peça termina com o seu destino ainda incerto, pois não abandonou o isqueiro. Através do seu comprometimento coral e colectivo no espectáculo, os membros da audiência podem vir a assumir a necessidade de responder ao “outro vulnerável”, e tomar responsabilidade pelas suas acções e compromissos políticos, como um passo para o alcance da mudança social.

Fotografia © Jorge Gonçalves


O RAPAZ DE UCELLO ou aquilo que nunca perguntei ao Álvaro Lapa de Jorge Silva Melo 
Com João Pedro Mamede Luz Pedro Domingos
No Porto, no Auditório de Serralves, 6 de Mai às 18h00
Não, Álvaro Lapa não era evasivo. Era penetrante. Respondia, hesitava pouco, falava baixinho, mantinha um silêncio que ninguém conseguiria interromper. Silêncios por vezes dolorosos.  Eu nem sempre entendia o que ele dizia de forma peremptória, eram "provérbios", dizia. Estive em sua casa em Leça três dias a fazer-lhe perguntas. Provavelmente por eu não ser do meio e por nos termos conhecido em longas tardes de cafés de Lisboa,  naqueles anos 64-66, meus primeiros anos de Faculdade, Lapa abriu-me a casa, até me deu as chaves para o caso de eu "amanhã" querer chegar mais cedo."Que linda camisola!", disse-lhe. Sorriu, aquele sorriso sempre triste que tinha. "Comprei-a para o filme." Confesso que adorava estar ali  sentado a olhar para ele, vê-lo, inteligente, feroz, agudo, acutilante, certeiro, frágil também. Era impossível não o olhar, era um íman. E fiz muitas perguntas, perguntas de leigo, perguntas apenas para ele poder falar, perguntas. E não lhe perguntei, pois foi, não lhe perguntei tanta coisa. Quem era esta sombra de adolescente que entreviu em Uccello ("a minha única referência clássica", terá dito), espelho, rasto? Que  ligação vai daqui ao Gombrowicz cujo Caderno fez... ao Villon das antigas neves?  Tantas perguntas que podia ter feito, que estupidez, o Lapa estava ali mesmo à minha frente e dispusera-se a isso. E não fiz mesmo a principal: o que é a Literatura, Álvaro?
Ficaremos sempre a perguntar-nos isso. Com o João Pedro Mamede, ator que admiro, queria remoer nesta coisa esquisita de estar diante de alguém que admiramos (e Lapa é admirável) e não ser capaz de lhe perguntar aquilo que quero saber, recear ser parvo.
Sim, é sobre aquilo que nunca perguntei ao Álvaro. É, mais uma vez, sobre Literatura.
JSM


EM VOZ ALTA 
os nossos poetas
leituras de poesia portuguesa pelos Artistas Unidos
Eu gosto de ler em voz alta, eu gosto de ouvir poesia lida pelos actores com quem trabalho, eu gosto de poesia lida para várias pessoas, eu gosto de leituras de poesia, ver gente, sentir gente à volta das palavras suspensas do poeta.

Em Setúbal, na Casa da Cultura de Setúbal, 26 de Abril às 21h30
GOMES LEAL por Manuel Wiborg e  Jorge Silva Melo


Fotografia © Jorge Gonçalves


segunda-feira, 16 de abril de 2018

Esta semana estaremos nas Caldas da Rainha com O TEATRO DA AMANTE INGLESA de Marguerite Duras. Sexta 20 e sábado 21 de Abril. E em breve temos FRÁGIL de David Greig no Sobral de Monte Agraço, a 28 de Abril. E na quinta-feira, 26 de Abril, estaremos na Casa da Cultura de Setúbal: GOMES LEAL por Manuel Wiborg e Jorge Silva Melo, EM VOZ ALTA.



O TEATRO DA AMANTE INGLESA de Marguerite Duras Tradução Luís Francisco Rebello Com Isabel Muñoz CardosoJoão Meireles e Pedro Carraca Cenografia e Figurinos Rita Lopes Alves Luz Pedro Domingos Encenação Jorge Silva Melo M12
Nas Caldas da Rainha, no Teatro da Rainha de 20 a 21 de Abril, às 21h30
Reservas | 262 823 302

Quem foi esta mulher que assassinou a prima e dispersou os pedaços do cadáver pelo viadutos do caminho de ferro? A notícia tocou Marguerite Duras. E o facto de a criminosa nunca ter parado de fazer perguntas sobre o que fizera e porquê. "Quem é esta mulher?" chamou-se a primeira versão feita em Portugal deste texto seco, duro e frio.

O Interrogador Confessou ser a autora da morte da sua prima Marie-Thérèse Bousquet?
Claire É verdade.

Marguerite Duras, O Teatro da Amante Inglesa

Fotografia © Jorge Gonçalves


FRÁGIL de David Greig Tradução Pedro Marques Com Pedro Carraca Cenografia e Figurinos Rita Lopes Alves Luz Pedro Domingos Encenação Jorge Silva Melo M12

No Sobral de Monte Agraço, no CineTeatro Sobral, a 28 de Abril

Adoro ir ao centro. – Se alguma coisa me aborrece no sábado, no domingo ou na segunda – penso – não te preocupes – na terça vais ao centro.

David Greig, Os Acontecimentos
Fotografia © Jorge Gonçalves


EM VOZ ALTA 
os nossos poetas
leituras de poesia portuguesa pelos
 Artistas Unidos

Eu gosto de ler em voz alta, eu gosto de ouvir poesia lida pelos actores com quem trabalho, eu gosto de poesia lida para várias pessoas, eu gosto de leituras de poesia, ver gente, sentir gente à volta das palavras suspensas do poeta.

Em Setúbal, na Casa da Cultura, 26 de Abril às 21h30 

GOMES LEAL por Manuel Wiborg Jorge Silva Melo

Fotografia © Jorge Gonçalves


segunda-feira, 9 de abril de 2018

Termina sábado O TEATRO DA AMANTE INGLESA de Marguerite Duras e DESENHOS COM COR de Daniel Fernandes. Até 14 de Abril. Já amanhã, terça 10, passa na Antena 2 UM TIRO NA CABEÇA de Pau Miró. E na sexta-feira, 13 de Abril, na Oficina Municipal do Teatro, em Coimbra, Lia Gama e Jorge Silva Melo lêem CAMILO PESSANHA. Já a 14 de Abril, sábado, na Casa Sommer em Cascais, Manuel Wiborg e Jorge Silva Melo lêem GOMES LEAL, EM VOZ ALTA.


O TEATRO DA AMANTE INGLESA de Marguerite Duras Tradução Luís Francisco Rebello Com Isabel Muñoz Cardoso, João Meireles e Pedro Carraca Cenografia e Figurinos Rita Lopes Alves Luz Pedro Domingos Encenação Jorge Silva Melo M12

No Teatro da Politécnica de 7 de Março a 14 de Abril
3ª e 4ª às 19h00 | 5ª e 6ª às 21h00 | Sáb. às 16h00 e às 21h00
Reservas | 961960281 | 213916750 (dias úteis das 10h00 às 18h00)

Quem foi esta mulher que assassinou a prima e dispersou os pedaços do cadáver pelo viadutos do caminho de ferro? A notícia tocou Marguerite Duras. E o facto de a criminosa nunca ter parado de fazer perguntas sobre o que fizera e porquê. "Quem é esta mulher?" chamou-se a primeira versão feita em Portugal deste texto seco, duro e frio.

O Interrogador Confessou ser a autora da morte da sua prima Marie-Thérèse Bousquet?
Claire É verdade.

Marguerite Duras, O Teatro da Amante Inglesa


DESENHOS COM COR de Daniel Fernandes

No Teatro da Politécnica de 7 de Março a 14 de Abril
3ª a 6ª das 17h00 | Sáb. das 15h00 até ao final do espectáculo
APOIO Fundação Calouste Gulbenkian

Daniel Fernandes mostra trabalhos recentes, onde procedimentos exaustivos de sobreposição e rasura fazem deslocar os desenhos para um espaço partilhado com a pintura.


UM TIRO NA CABEÇA de Pau Miró

Com Andreia BentoVânia Rodrigues, Isabel Muñoz Cardoso e Pedro Carraca
Na Antena 2, Teatro Sem Fios a 10 de Abril às 19h00
Três mulheres. E a censura, pessoal ou pública. Uma jornalista incómoda que acaba de ser despedida. Uma vítima que só quer que o seu caso seja revelado. Um beco de onde ninguém pode sair. São os dias de hoje inventados por um dos mais atentos autores actuais, Pau Miró.

Fotografia 
© Jorge Gonçalves





EM VOZ ALTA 
os nossos poetas
leituras de poesia portuguesa pelos Artistas Unidos

Eu gosto de ler em voz alta, eu gosto de ouvir poesia lida pelos actores com quem trabalho, eu gosto de poesia lida para várias pessoas, eu gosto de leituras de poesia, ver gente, sentir gente à volta das palavras suspensas do poeta.

Em Coimbra, na Oficina Municipal do Teatro, 13 de Abril às 21h30 
CAMILO PESSANHA
 por Lia Gama e Jorge Silva Melo

Em Cascais, na Casa Sommer, 14 de Abril às 18h30GOMES LEAL por Manuel Wiborg e Jorge Silva Melo


Fotografia © Jorge Gonçalves

segunda-feira, 2 de abril de 2018

Últimas semanas de O TEATRO DA AMANTE INGLESA de Marguerite Duras e de DESENHOS COM COR de Daniel Fernandes. Só até 14 de Abril. E hoje na Biblioteca da INCM Luís Lucas e Jorge Silva Melo lêem ADOLFO CASAIS MONTEIRO.


O TEATRO DA AMANTE INGLESA de Marguerite Duras Tradução Luís Francisco Rebello Com Isabel Muñoz CardosoJoão Meireles e Pedro Carraca Cenografia e Figurinos Rita Lopes Alves Luz Pedro Domingos Encenação Jorge Silva Melo M12

No Teatro da Politécnica de 7 de Março a 14 de Abril
3ª e 4ª às 19h00 | 5ª e 6ª às 21h00 | Sáb. às 16h00 e às 21h00
Reservas | 961960281 | 213916750 (dias úteis das 10h00 às 18h00)

Quem foi esta mulher que assassinou a prima e dispersou os pedaços do cadáver pelo viadutos do caminho de ferro? A notícia tocou Marguerite Duras. E o facto de a criminosa nunca ter parado de fazer perguntas sobre o que fizera e porquê. "Quem é esta mulher?" chamou-se a primeira versão feita em Portugal deste texto seco, duro e frio.

O Interrogador Confessou ser a autora da morte da sua prima Marie-Thérèse Bousquet?
Claire É verdade.

Marguerite Duras, O Teatro da Amante Inglesa

Fotografia © Jorge Gonçalves


DESENHOS COM COR de Daniel Fernandes

No Teatro da Politécnica de 7 de Março a 14 de Abril
3ª a 6ª das 17h00 | Sáb. das 15h00 até ao final do espectáculo
APOIO Fundação Calouste Gulbenkian

Daniel Fernandes mostra trabalhos recentes, onde procedimentos exaustivos de sobreposição e rasura fazem deslocar os desenhos para um espaço partilhado com a pintura.


EM VOZ ALTA
os nossos poetas
leituras de poesia portuguesa pelos Artistas Unidos
Eu gosto de ler em voz alta, eu gosto de ouvir poesia lida pelos actores com quem trabalho, eu gosto de poesia lida para várias pessoas, eu gosto de leituras de poesia, ver gente, sentir gente à volta das palavras suspensas do poeta.

Na Biblioteca da INCM, 2 de Abril às 18h30
ADOLFO CASAIS MONTEIRO por Luís Lucas e Jorge Silva Melo

P
róxima sessão:
Em Cascais, na Casa Sommer, 13 de Abril às 21h30 

CAMILO PESSANHA
 por Lia Gama Jorge Silva Melo

Fotografia © Jorge Gonçalves

terça-feira, 27 de março de 2018

Hoje, Dia Mundial do Teatro, é dia de entrada livre para O TEATRO DA AMANTE INGLESA de Marguerite Duras no Teatro da Politécnica às 19h. E na sala ao lado, DESENHOS COM COR de Daniel Fernandes. Na Antena 2, AS SOBRINHAS de Jaime Salazar Sampaio.


O TEATRO DA AMANTE INGLESA de Marguerite Duras Tradução Luís Francisco Rebello Com Isabel Muñoz Cardoso, João Meireles e Pedro Carraca Cenografia e Figurinos Rita Lopes Alves Luz Pedro Domingos Encenação Jorge Silva Melo M12
No Teatro da Politécnica de 7 de Março a 14 de Abril3ª e 4ª às 19h00 | 5ª e 6ª às 21h00 | Sáb. às 16h00 e às 21h00
Reservas | 961960281 | 213916750 (dias úteis das 10h00 às 18h00)

DIA MUNDIAL DO TEATRO, 27 de Março
Sessão de entrada livre às 19h00
 (sujeito à lotação da sala)
Abertura da bilheteira: 17h00

Quem foi esta mulher que assassinou a prima e dispersou os pedaços do cadáver pelo viadutos do caminho de ferro? A notícia tocou Marguerite Duras. E o facto de a criminosa nunca ter parado de fazer perguntas sobre o que fizera e porquê. "Quem é esta mulher?" chamou-se a primeira versão feita em Portugal deste texto seco, duro e frio.
O Interrogador Confessou ser a autora da morte da sua prima Marie-Thérèse Bousquet?
Claire É verdade.

Marguerite Duras, O Teatro da Amante Inglesa

Fotografia © Jorge Gonçalves


DESENHOS COM COR de Daniel Fernandes

No Teatro da Politécnica de 7 de Março a 14 de Abril
3ª a 6ª das 17h00 | Sáb. das 15h00 até ao final do espectáculo
APOIO Fundação Calouste Gulbenkian

Daniel Fernandes mostra trabalhos recentes, onde procedimentos exaustivos de sobreposição e rasura fazem deslocar os desenhos para um espaço partilhado com a pintura.



 Na Antena 2, no Teatro Sem Fios a 27 de Março às 19h00

Uma peça em 1 ato de um dos autores portugueses mais ativos nos anos 60 - 80. O que se esconde atrás da imagem? Que passado irrompe? Que desejos sepultámos? Por baixo de uma pequena burguesia sufocante, que desejo erótico está soterrado? Que sonhos morreram até tudo ficar com poeira. Um teatro surpreendente, surreal, inquietante, desassossegado.

Fotografia © Jorge Gonçalves



segunda-feira, 26 de março de 2018

Dia Mundial do Teatro | Hoje, na Biblioteca da INCM, Maria João Luís e Jorge Silva Melo apresentam o livro de fotografias de Jorge Gonçalves. 20 ANOS DE TRABALHOS. Amanhã, Dia Mundial do Teatro, sessão de entrada livre de O TEATRO DA AMANTE INGLESA de Marguerite Duras. E a exposição de Daniel Fernandes, DESENHOS COM COR. Também na 3ª 27, a Antena 2 transmite AS SOBRINHAS de Jaime Salazar Sampaio. E na 5ª 29 de Março, Jorge Silva Melo e Nuno Gonçalo Rodrigues lêem ALBERTO DE LACERDA na Casa da Cultura de Setúbal.


Lançamento “Jorge Gonçalves, 20 Anos de Trabalhos – Fotografia, Artistas Unidos”

A Imprensa Nacional-Casa da Moeda e os Artistas Unidos têm o prazer de convidar para o lançamento do livro "Jorge Gonçalves, 20 Anos de Trabalhos - Fotografias, Artistas Unidos", em véspera de Dia Mundial do Teatro, a 26 de Março, pelas 18h30, na Biblioteca da Imprensa Municipal-Casa da Moeda (R. da Escola Politécnica, 135).

Apresentação de Maria João Luís e Jorge Silva Melo

Na Biblioteca da Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 26 de Março às 18h30

E FOI JÁ HÁ VINTE ANOS

Foi, faz agora vinte anos. Nem sei se foi alguém que mo recomendou, se foi por eu já ter visto as suas belíssimas fotografias de Vera Mantero ou de João Fiadeiro , não sei. Sei que, uma tarde nos finais de Junho de 1998, o Jorge Gonçalves nos apareceu, nos Recreios da Amadora, num ensaio quase final de “Aos que Nascerem Depois de Nós”, um espectáculo que dirigi com canções de Bertolt Brecht. E fotografou, fotografou, fotografou. Ainda a fotografia era em película, ainda usava o preto e branco, fazíamos uma volta da peça para as fotos a cores, outra para o pb.
E foram deslumbrantes aquelas primeiras fotografias, deslumbrantes. Movimento, composição, relação entre actores, rostos em acção, olhos - é aquele o teatro de que gosto e, logo nessa longa primeira sessão, o Jorge Gonçalves se entendeu bem com esta nossa (barroca?) desarrumação que não deixo de dedicar ao que tanto aprendi com o Tintoretto. Sim, o Jorge Gonçalves gosta do desequilíbrio, da instável relação de forças, do corpo vivo dos actores, dos olhos que irradiam, do corpo em queda, do olhar furtivo, da mão que se eleva até à boca.
E desde então tem andado connosco. Sempre. Passou da película ao digital, acabou-se o preto e branco e as longas noites a revelar em casa, acabou-se esse mundo, falamos em Raw e em dpis , mas ele continua a fotografar e são vibrantes os trabalhos que nos trás, esplendorosos. Foram vinte anos, são milhares de fotografias, quase duzentos actores, tantas peças, muitos directores, tantas salas diferentes, grandes umas, sem recuo outras tantas, pequenas muitas delas, A Capital, o Taborda, as Mónicas, a Malaposta, o Dona Maria, o CCB, a Culturgest, a Mundet no Seixal, a Voz do Operário, o Belém-Clube, o São Luiz, Teatro Municipal de Almada, o Centro Cultural do Cartaxo, o Estrela 60 de tantos ensaios, agora o Teatro da Politécnica (mudámos mais vezes de casa do que de sapatos?) , tanta sessão, tanta fotografia, tanto nome, tanto trabalho, tanto talento: vinte anos.
O teatro vive mal com os registos, desconfio dos vídeos, veneno omnipresente que torna tudo velho, mais velho do que a memória.
E o que o Jorge Gonçalves faz não é de todo um registo, ele não é testemunha, inventa fotografia a partir dos ensaios, fotografia da vida que está dentro dos espectáculos, é uma outra maneira de olhar o mundo, é reescrita, é fotografia, chamemos-lhe arte, que foi para isto que se inventou esta palavra.
Muitas vezes tem de se acrescentar luz ao desenho que o Pedro Domingos fez, e tentamos seguir-lhe as linhas mestras, quase nunca temos recuo para fotografar os sempre extraordinários cenários da Rita Lopes Alves, preso que o Jorge anda (e deve andar) à movimentação dos actores, à sua instantânea vulnerabilidade. Vemos só uma parte, sim, “a parte pelo todo”, como se diz que é a metonímia.
E não é isso mesmo a fotografia? Ou seja, a poesia?
Para nós é isso: vinte anos.

Jorge Silva Melo
Outubro 2017


O TEATRO DA AMANTE INGLESA de Marguerite Duras Tradução Luís Francisco Rebello Com Isabel Muñoz Cardoso, João Meireles e Pedro Carraca Cenografia e Figurinos Rita Lopes Alves Luz Pedro Domingos Encenação Jorge Silva Melo M12

No Teatro da Politécnica de 7 de Março a 14 de Abril
3ª e 4ª às 19h00 | 5ª e 6ª às 21h00 | Sáb. às 16h00 e às 21h00
Reservas | 961960281 | 213916750 (dias úteis das 10h00 às 18h00)

DIA MUNDIAL DO TEATRO, 27 de Março
Sessão de entrada livre às 19h00
 (sujeito à lotação da sala)
Abertura da bilheteira: 17h00

Quem foi esta mulher que assassinou a prima e dispersou os pedaços do cadáver pelo viadutos do caminho de ferro? A notícia tocou Marguerite Duras. E o facto de a criminosa nunca ter parado de fazer perguntas sobre o que fizera e porquê. "Quem é esta mulher?" chamou-se a primeira versão feita em Portugal deste texto seco, duro e frio.
O Interrogador Confessou ser a autora da morte da sua prima Marie-Thérèse Bousquet?
Claire É verdade.

Marguerite Duras, O Teatro da Amante Inglesa

Fotografia © Jorge Gonçalves



DESENHOS COM COR de Daniel Fernandes

No Teatro da Politécnica de 7 de Março a 14 de Abril
3ª a 6ª das 17h00 | Sáb. das 15h00 até ao final do espectáculo
APOIO Fundação Calouste Gulbenkian

Daniel Fernandes mostra trabalhos recentes, onde procedimentos exaustivos de sobreposição e rasura fazem deslocar os desenhos para um espaço partilhado com a pintura.


As Sobrinhas de Jaime Salazar Sampaio Com Gonçalo Egito, João Estima, Inês Pereira, Isabel Muñoz Cardoso, Miguel Galamba, Vânia Rodrigues, Diana Narciso, Sara Inês Gigante e Rita Delgado Direcção António Simão
 Na Antena 2, no Teatro Sem Fios a 27 de Março às 19h00

Uma peça em 1 ato de um dos autores portugueses mais ativos nos anos 60 - 80. O que se esconde atrás da imagem? Que passado irrompe? Que desejos sepultámos? Por baixo de uma pequena burguesia sufocante, que desejo erótico está soterrado? Que sonhos morreram até tudo ficar com poeira. Um teatro surpreendente, surreal, inquietante, desassossegado.

Fotografia © Jorge Gonçalves



EM VOZ ALTA os nossos poetas leituras de poesia portuguesa pelos Artistas Unidos
Eu gosto de ler em voz alta, eu gosto de ouvir poesia lida pelos actores com quem trabalho, eu gosto de poesia lida para várias pessoas, eu gosto de leituras de poesia, ver gente, sentir gente à volta das palavras suspensas do poeta.


Na Casa da Cultura de Setúbal, 29 de Março às 21h30 ALBERTO DE LACERDA por Jorge Silva Melo e Nuno Gonçalo Rodrigues
Próxima sessão:Na Biblioteca da INCM, 2 de Abril às18h30ADOLFO CASAIS MONTEIRO por Luís Lucas e Jorge Silva Melo



Fotografia © Jorge Gonçalves



quarta-feira, 21 de março de 2018

Convite | Lançamento de "Jorge Gonçalves, 20 Anos de Trabalhos - Fotografias, Artistas Unidos" | Biblioteca da INCM, 26 de Março às 18h30


A Imprensa Nacional-Casa da Moeda e os Artistas Unidos têm o prazer de convidar para o lançamento do livro "Jorge Gonçalves, 20 Anos de Trabalhos - Fotografias, Artistas Unidos", em véspera de Dia Mundial do Teatro, a 26 de Março, pelas 18h30, na Biblioteca da Imprensa Municipal-Casa da Moeda (R. da Escola Politécnica, 135).


Na Biblioteca da Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 26 de Março às 18h30

E FOI JÁ HÁ VINTE ANOS

Foi, faz agora vinte anos. Nem sei se foi alguém que mo recomendou, se foi por eu já ter visto as suas belíssimas fotografias de Vera Mantero ou de João Fiadeiro , não sei. Sei que, uma tarde nos finais de Junho de 1998, o Jorge Gonçalves nos apareceu, nos Recreios da Amadora, num ensaio quase final de “Aos que Nascerem Depois de Nós”, um espectáculo que dirigi com canções de Bertolt Brecht. E fotografou, fotografou, fotografou. Ainda a fotografia era em película, ainda usava o preto e branco, fazíamos uma volta da peça para as fotos a cores, outra para o pb.
E foram deslumbrantes aquelas primeiras fotografias, deslumbrantes. Movimento, composição, relação entre actores, rostos em acção, olhos - é aquele o teatro de que gosto e, logo nessa longa primeira sessão, o Jorge Gonçalves se entendeu bem com esta nossa (barroca?) desarrumação que não deixo de dedicar ao que tanto aprendi com o Tintoretto. Sim, o Jorge Gonçalves gosta do desequilíbrio, da instável relação de forças, do corpo vivo dos actores, dos olhos que irradiam, do corpo em queda, do olhar furtivo, da mão que se eleva até à boca.
E desde então tem andado connosco. Sempre. Passou da película ao digital, acabou-se o preto e branco e as longas noites a revelar em casa, acabou-se esse mundo, falamos em Raw e em dpis , mas ele continua a fotografar e são vibrantes os trabalhos que nos trás, esplendorosos. Foram vinte anos, são milhares de fotografias, quase duzentos actores, tantas peças, muitos directores, tantas salas diferentes, grandes umas, sem recuo outras tantas, pequenas muitas delas, A Capital, o Taborda, as Mónicas, a Malaposta, o Dona Maria, o CCB, a Culturgest, a Mundet no Seixal, a Voz do Operário, o Belém-Clube, o São Luiz, Teatro Municipal de Almada, o Centro Cultural do Cartaxo, o Estrela 60 de tantos ensaios, agora o Teatro da Politécnica (mudámos mais vezes de casa do que de sapatos?) , tanta sessão, tanta fotografia, tanto nome, tanto trabalho, tanto talento: vinte anos.
O teatro vive mal com os registos, desconfio dos vídeos, veneno omnipresente que torna tudo velho, mais velho do que a memória.
E o que o Jorge Gonçalves faz não é de todo um registo, ele não é testemunha, inventa fotografia a partir dos ensaios, fotografia da vida que está dentro dos espectáculos, é uma outra maneira de olhar o mundo, é reescrita, é fotografia, chamemos-lhe arte, que foi para isto que se inventou esta palavra.
Muitas vezes tem de se acrescentar luz ao desenho que o Pedro Domingos fez, e tentamos seguir-lhe as linhas mestras, quase nunca temos recuo para fotografar os sempre extraordinários cenários da Rita Lopes Alves, preso que o Jorge anda (e deve andar) à movimentação dos actores, à sua instantânea vulnerabilidade. Vemos só uma parte, sim, “a parte pelo todo”, como se diz que é a metonímia.
E não é isso mesmo a fotografia? Ou seja, a poesia?
Para nós é isso: vinte anos.

Jorge Silva Melo
Outubro 2017